segunda-feira, 19 de maio de 2008

E sobre os homens?


Passível de contestação, baseado em tudo.
1 - Ficada tem prazo de uma semana: se ele não ligar em 7 dias, esquece;
2 - Educadamente ele retorna as mensagens e e-mails, mas vocês não conseguem se encontrar: ele está enrolado e com mulher. Dificilmente o cara estressado, ocupado, cansado não vai topar um programa. Ou ele é um bom deprimido ou tem outra na parada. E se ele está se desculpando é porque no mínimo está te deixando de molho porque és interessante. É uma carta na manga. O risco é de que quando ele possa te ligar tu não estejas mais afim;
3 - 98% não ligam no outro dia;
4 - Se ele te liga acha o cara gosma! Se ele não liga foi porque (exemplo) tu transou ou porque não transou. ACORDA AMIGA: o segundo dia é para digerir a nova situação. Ademais, pense que o cara pode não ter curtido a ficada. Não dá para agradar gregos e troianos;
5 - Eles estão sempre disponíveis para o sexo. Não se sinta um objeto. Eles têm décadas a nossa frente de liberdade sexual e algumas conquistas nossas são bem recentes. Mesmo depois da fogueira de sutiãs, dos panelaços, da pílula anticoncepcional ainda as mulheres lutam para se sentir mais á vontade com o seu prazer;
6 - Nem sob tortura fale de ex-namorados, problemas familiares, dinheiro, insegurança. Os problemas têm tempo para serem divididos – “cada um no seu quadrado”.
7 - OS DISPONÍVEIS: se ele anda com caras 10 anos mais novos provável que seja um eterno adolescente. Se estiver na média dos 30 aos 40 a coisa só piora. Os de 30 tem mais chances de estarem só numa crise, o de 40 é conflito: cai fora!
8 - Não cabe que ele lhe diga o TEMPO TODO ou TODOS OS DIAS quanto tu é bonita, cheirosa, boa de cama. É exigência demais das mulheres. Tenha esta certeza contigo que os elogios vêm naturalmente. Se teu lance é auto-estima, um namorado não “cura”. Matricula-te numa academia e procura um bom (boa) psicoterapeuta;
9 - Homens não ficam sozinhos. Com certeza tu conheces um que não namora há anos e que está sozinho. Mas ele não ta sem rolo, sem sexo, sem beijo que nem aquela tua amiga que não transa á 6 meses, não namora á 2 anos e não beija á 3 meses? Hahaha.
10 - Não se aplica a 100% dos homens, sou contra generalizações. Se aplica aos que não são:
- violentos;
- Grude (que te colocam no lugar de mãe);
- Controlador (vais com esta saia?);
- Seu Narciso (eu me amo e é mais vaidoso e ligado em marcas do que tu);
- Ciumento (inclusive das tuas amigas);
- Teatral (cai de cama se tu não correspondes);
- Malvado (tem prazer em te ver sofrer: aquele que some e volta como se nada tivesse acontecido ou faz de conta que não te fez nada);
Os homens também dão sinais. Não só as mulheres se beneficiam destes códigos.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Vestido.


Felícia recebeu um convite para um baile que aconteceria dali à 4 meses. Antecipação que se justificava porque era um baile a fantasia e todos teriam tempo para inspirar-se.
Ela queria que sua fantasia representasse algo mais abstrato e que pudesse traduzir no simbólico. Escolheu o amor.
Tinha que escolher a cor e foi muito difícil. Nada rosa ou vermelho porque não lhe caia bem. Como em algumas culturas o preto é uma cor boa por ser a união de todas as outras, foi a escolhida. Amor preto? Ela adorava tudo que era diferente.
Gostava de roupas sedutoras, evocativas mas nunca demonstrativas. Tinha as costas à mostra e ficaria na altura dos joelhos, rodado, algo anos 60. Um sapato caro e um colar.
Não pode fazer provas detalhistas. Confiou nas mãos que confeccionaram sua idéia e que usavam as medidas que ela tinha repassado. Era só ler Felícia com atenção.
Durante o baile seu vestido foi se desfigurando. Talvez porque não suportava a “competição” com as outras fantasias.
A Fantasia da Mentira deixou seus pontos frouxos não lhe deixando segura.
A Fantasia do Desrespeito rasgou seu decote lhe expondo demais.
A Fantasia da Promessa rachou seus saltos lhe fazendo caminhar com medo de cair.
Quando Felícia se deu conta estava quase nua e ainda com um pouco do que restava de sua fé no amor, saiu discretamente do baile e foi embora.
Quando se viu nua reparou em si.
Pensou que sua fantasia precisava de reforços, porque enfim era linda.
Mas por enquanto aquele amor não lhe vestia bem.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Loja De Promessas


- Boa Tarde! Como posso lhe ajudar?
- Eu vim fazer uma reclamação deste produto que eu comprei, não sei se seria o caso de troca ou de alguma manutenção.
- Entendo! Diga-me o que acontece?
- Na verdade, ele é um bom produto só que não tem agüentado o fator tempo.
- Sim, mas a Senhorita entende que não há nada que resista ao desgaste do tempo.
- Eu tinha esperança que ele suportasse mais. Veja! Ele é forte, mas os últimos acontecimentos tem deixado ele tão pequeno.
- Olhe bem, é um bom produto, foi uma boa escolha, mas a Senhorita é responsável pelo contato dele com outros usuários. Pergunto de novo, quais os defeitos?
- Ás vezes ele cresce muito, mas dependendo do usuário ele diminui tanto que acho que vai pifar. Outras é seco, duro. Também quando assustado bate em retirada.
Percebo também que são muitas funções para este modelo, ele deveria ter outra central para dividir.
- Minha querida, seu produto é “top” de linha. Ele tem dedicação, afeto, empatia, tesão e o melhor: ele insiste em transformar a si e os seus usuários. Mas é um coração feminino e só funciona bem com uma central masculina. A sobrecarga de trabalhar sozinho é que ás vezes desgasta seu coração. Assim, que ele puder retirar estas ataduras vai estar apto as novas conexões.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Loucos - L. F. Veríssimo




O melhor da Terapia é ficar observando os meus colegas loucos. Existem dois tipos de loucos. O louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou. Durante quarenta anos, passei longe deles. Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal. O melhor da terapia é chegar antes, alguns minutos e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera. Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco. Ninguém olha para
ninguém. O silêncio é uma loucura. E eu, como escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses. Acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo. E a sala de espera de um 'consultório médico', como diz a atendente absolutamente normal (apenas uma
pessoa normal lê tanto Paulo Coelho como ela), é um prato cheio para um louco escritor como eu. Senão, vejamos:
Na última quarta-feira, estávamos:
1. Eu,
2. Um crioulinho muito bem vestido,
3. Um senhor de uns cinqüenta anos e
4. Uma velha gorda.
Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles. Não foi difícil, porque eu já partia do principio que todos eram loucos, como eu. Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados. O pretinho, por exemplo. Claro que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído muito para levá-lo até aquela poltrona de vime. Deve gostar de uma branca, e os pais dela não aprovam o namoro e não conseguiu entrar como sócio do 'Harmonia do Samba'. Notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que
ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro.Talvez apenas a cabeça. Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro.Podia ser perigoso.Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina.
E o senhor de terno preto, gravata, meias e sapatos também pretos? Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa.. E manso. Corno manso sempre tem tiques. Já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas. Insegurança total, medo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente, interrompendo o Paulo Coelho da outra. Faltava um botão na camisa. Claro, abandonado pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas.
Homossexual? Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.
Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda e baixinha. Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Será que se masturbaria? Será que era esse o problema dela? Uma velha masturbadora? Não! Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Estava no quinto cigarro em dez minutos. Tensa. Coitada... O que deve ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas e dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse. Acabou o meu tempo.Tenho que ir conversar com o meu psicanalista.

Conto para ele a minha 'viagem' na sala de espera. Ele ri, ..... ri muito, o meu psicanalista, e diz:
- O Ditinho é o nosso office-boy.
- O de terno preto é representante de um laboratório multinacional de remédios lá no Ipiranga e passa aqui uma vez por mês com as novidades.
- E a gordinha é a Dona Dirce, a minha mãe.
- E você... não vai ter alta tão cedo...
FIGURA: Autoretrato com bandagem na orelha, 1889 - Van Gogh.