terça-feira, 29 de abril de 2008

VOLVER


Ela tinha medo do passado que retornava, não sabia se para mais um momento ou mais uma etapa. Vencida pelas lembranças boas, rende-se ao ser que lhe rodeia.
Foi diferente do que sua mente imaginava, dos diálogos que criou, das sensações que já sentiu.
Os personagens eram os mesmo, mas em épocas diferentes, mais sofridos, mais vividos, mais intensos.
Entrega-se ao abraço forte, o cheiro familiar e a boca febril.
Os seus corpos conheciam o caminho um do outro, vezes mil já percorrido.
O que marca são as poucas palavras e o abraço que lhe diz tudo. Não lhe exige mais declarações, ela sabe quem é.
Juntos para um novo caminho, juntos ou não.
Crê no ser humano. Crê na oportunidade da desculpa. Crê no que acha justo. Crê que um encontro não é nada ainda.
A despedida deixa marcas pela casa, um perfume na pele e um sono justo para aquele que não dormiu velando os carinhos.
E assim, volta?


Tengo miedo del encuentro
Tenho medo do encontro

con el pasado que vuelve
com o passado que volta

a enfrentarse con mi vida.
a enfrentar-se com minha vida.

Tengo miedo de las noches
Tenho medo das noites

que pobladas de recuerdos
que povoadas de recordações

encadenan mi soñar.
aprisionam meu sonhar.

Pero el viajero que huye
Mas o viajante que foge

tarde o temprano detiene su andar.
cedo ou tarde detem seu caminhar.

Y aunque el olvido, que
todo destruye,
E mesmo que o esquecimento,
que tudo destroi,

haya matado mi vieja
ilusion,
tenha matado minha velha ilusão,

guardo escondida una esperanza humilde
guardo escondida uma
esperança humilde

que es toda la fortuna de
mi corazón.
que é toda a fortuna do meu coração.

Volver*
* De Alfredo le Pera y Carlos Gardel (1935) da trilha sonora do filme “Volver” de Almodóvar.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

O Perigo MORA ao lado.


Tem um tipo de vizinho que chega como quem não quer nada de ti, ao contrário se mostra altruísta demais. Tem sempre um sorriso a dar, te chama pelo nome com intimidade de "anos" e faz brincadeiras em algumas "cruzadas de corredor". Por outras vezes, UMA cuia de mate daqui, um papo dali..política de boa vizinhança. Compartilha histórias de condomínio ou da rua e da vida de outros vizinhos naqueles momentos em que dá vontade de dizer: "eu não quero que tu me contes, porque eu não quero saber" - fica grosso demais né?

Este é o tipo de vizinho que vem chegando e quando se percebe ele sabe da tua vida e tu da vida de todo prédio. Ele desperta "o tratado da fofoca" em ti porque uma fofoca não vale á pena se ficar só com ele.

Dá para chamar de "tóxico", que te exige sem te dar, que gera em ti culpa por não gostar dele, é grude, sanguessuga, infantil.

Vizinho não se escolhe. Mas não é por obrigação alguma um amigo! É alguém que se trata cordialmente. Aberta campanha para só socializar com quem agrega.

terça-feira, 1 de abril de 2008

A Pós-Adolescência, sob o vértice psicanalítico.

Conclusão do trabalho final de pós-graduação:
A partir de uma análise de um texto de BLOS (1985), complementada com a leitura de Câmara e Cruz, Outeiral, Levisky e outros autores e, ainda, reconhecendo a necessidade de uma maior discussão sobre a pós-adolescência, concluí que a pós-adolescência é uma fase do desenvolvimento individual bem delimitada, compreendida entre o final da adolescência e início da vida adulta.
Caracteriza-se como uma fase voltada para o problema da harmonização das partes componentes da personalidade. Diferente do início da adolescência (fase com seu início marcado pelos aspectos físicos) onde o indivíduo passa por conflitos biopsicossociais. Os aspectos psicológicos é que definem o final da adolescência onde aquisições e conflitos desta estão ligados a escolha de uma profissão, a uma relação afetiva estável e vida social.
É uma fase de crise em que se registram na mente perdas e ganhos que são marcados por escolhas que “devem” ficar para a vida toda. Estes ganhos ficam registrados na identidade, nos âmbitos de maior integração egóica, na aquisição de um papel profissional dentro do mercado de trabalho (maior realização profissional), na vida amorosa estável (maior realização afetiva) e no papel assumido na sociedade.
Ao final da pós-adolescência, início da vida adulta, entende-se que o indivíduo deva ter adquirido capacidade de: desenvolver atos determinados por sua vontade (pensados por ele); fazer parte de um grupo e respeitar as regras deste; desenvolver opiniões antecipadas baseadas em suposições (prognósticos) e uma estabilidade emocional e uma duradoura auto-estima. Estas capacidades acontecem diferentes em cada indivíduo, de acordo com seu contexto histórico sócio cultural e transgeracional.
Como em todas as etapas do desenvolvimento, podem aparecer alguns aspectos patogênicos e aqui pode surgir a “adolescência prolongada” – uma perseveração de algo que deve ser transitório, caracterizado por um adolescente ferido narcisicamente, que mantém a crise adolescente em aberto porque há uma falha em organizar os impulsos e funções do ego.
Muitos aspectos sociais que influenciam a pós-adolescência foram apontados neste estudo (baseados em dados produzidos a partir da experiência clínica), mas o que se destaca é a inserção no mercado de trabalho. O desemprego restringe a entrada de jovens no mercado de trabalho, retarda a independência econômica e faz com que os pós-adolescentes fiquem fixados a dependências emocional e financeira que eram características da fase anterior.
Foi de enorme significação pessoal poder abordar um tema tão pouco explorado, mas que está cada vez mais freqüente no mundo de hoje, levando tantos jovens a um sofrimento psíquico, silencioso e que não é entendido na maioria das vezes pelos que estão a sua volta.
Acredita-se que com o devido respaldo psicoterápico e maior divulgação deste fenômeno para a sociedade, esta crise pode ser enfrentada com menos sofrimento e maior compreensão.