terça-feira, 1 de abril de 2008

A Pós-Adolescência, sob o vértice psicanalítico.

Conclusão do trabalho final de pós-graduação:
A partir de uma análise de um texto de BLOS (1985), complementada com a leitura de Câmara e Cruz, Outeiral, Levisky e outros autores e, ainda, reconhecendo a necessidade de uma maior discussão sobre a pós-adolescência, concluí que a pós-adolescência é uma fase do desenvolvimento individual bem delimitada, compreendida entre o final da adolescência e início da vida adulta.
Caracteriza-se como uma fase voltada para o problema da harmonização das partes componentes da personalidade. Diferente do início da adolescência (fase com seu início marcado pelos aspectos físicos) onde o indivíduo passa por conflitos biopsicossociais. Os aspectos psicológicos é que definem o final da adolescência onde aquisições e conflitos desta estão ligados a escolha de uma profissão, a uma relação afetiva estável e vida social.
É uma fase de crise em que se registram na mente perdas e ganhos que são marcados por escolhas que “devem” ficar para a vida toda. Estes ganhos ficam registrados na identidade, nos âmbitos de maior integração egóica, na aquisição de um papel profissional dentro do mercado de trabalho (maior realização profissional), na vida amorosa estável (maior realização afetiva) e no papel assumido na sociedade.
Ao final da pós-adolescência, início da vida adulta, entende-se que o indivíduo deva ter adquirido capacidade de: desenvolver atos determinados por sua vontade (pensados por ele); fazer parte de um grupo e respeitar as regras deste; desenvolver opiniões antecipadas baseadas em suposições (prognósticos) e uma estabilidade emocional e uma duradoura auto-estima. Estas capacidades acontecem diferentes em cada indivíduo, de acordo com seu contexto histórico sócio cultural e transgeracional.
Como em todas as etapas do desenvolvimento, podem aparecer alguns aspectos patogênicos e aqui pode surgir a “adolescência prolongada” – uma perseveração de algo que deve ser transitório, caracterizado por um adolescente ferido narcisicamente, que mantém a crise adolescente em aberto porque há uma falha em organizar os impulsos e funções do ego.
Muitos aspectos sociais que influenciam a pós-adolescência foram apontados neste estudo (baseados em dados produzidos a partir da experiência clínica), mas o que se destaca é a inserção no mercado de trabalho. O desemprego restringe a entrada de jovens no mercado de trabalho, retarda a independência econômica e faz com que os pós-adolescentes fiquem fixados a dependências emocional e financeira que eram características da fase anterior.
Foi de enorme significação pessoal poder abordar um tema tão pouco explorado, mas que está cada vez mais freqüente no mundo de hoje, levando tantos jovens a um sofrimento psíquico, silencioso e que não é entendido na maioria das vezes pelos que estão a sua volta.
Acredita-se que com o devido respaldo psicoterápico e maior divulgação deste fenômeno para a sociedade, esta crise pode ser enfrentada com menos sofrimento e maior compreensão.

3 Quem leu e pitaqueou:

Roberta Pinto disse...

Mas ahhhhhhhhhhh guria, Terminou!!! Orgulho de ti amiga.
p a r a b e n s !
beijao Robs

Jéssica disse...

Com certeza eh um assunto tao comum e ao mesmo tempo tao pouco discutido, ou pelo menos em teoria ne. Como ouvi na minha banca, tu agora vais ser uma referencia neste assunto, nao para por ai, pesquisa mais. Tu dedicaste teu trabalho p mim? Obvioo ne... hehe. Bjs

sabrina disse...

Nossaaaa, me identifiquei mto com essa matéria, tenho absoluta certeza d q é meu caso!!sabrinapadilha85@yahoo.com.br