quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Tu gosta de quem?

Quadrilha
Carlos Drummond de Andrade

João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém.João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história.

É sempre aquela confusão. Depois do primeiro beijo (registre início da adolescência) obviamente vem um desapontamento, porque um primeiro amor precisa ser eternizado também com dor. Claro, que todos cheios de entusiasmo acham que o segundo amor vai ser para sempre (tendência a achar que cada novo amor é o último). Novamente, outras sensações, frio na barriga, coração acelerado, perguntas. Uma hora encaixa. Alguns dão certo e por um bom tempo. Se acredita, a partir disso que vai ser moleza a “a arte de amar” e que nunca se vai ter medo de ficar sozinho. Crescendo. Um dia, a grande decepção (todos passam por uma, os azarados por duas – cada um que contabilize as suas).
Aqui dá-se tempo para entender de que forma nestes últimos 10 ou 15 anos as escolhas estão sendo feitas, se não fizer isso: compulsão a repetição. Só que ainda assim, as decepções continuam – com menos intensidade e dá medo de ficar sozinho.

Mas, porque é difícil gostar de quem gosta de ti? Porque a pessoa que está fora de alcance é a desejada? A que demora para procurar é a mais pensada? É a que se guarda as mensagens no celular? Os emails na lista de enviados?

Porque a que mostra interesse em ti é a última opção? A que te deseja é ignorada? É aquela que os defeitos te saltam aos olhos? É aquela que as mensagens não são respondidas?

O que seria do branco se todos gostassem do preto? Eu sei, só estou pensando um pouco nisso.... gostar de quem gosta de ti.
Por isso que João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. Porque é difícil, mas não é impossível!

domingo, 16 de dezembro de 2007

Toque Podre

Ela chega para mais uma sessão de terapia. Por mais que tenha alguns focos de preferência vez ou outra o assunto relacionamentos pede licença e é pauta. Desta vez, ela conta mais uma vez uma história repetida. Salve-salve diz com aquela sutileza de sempre: ”sabe, eu chamo isso de “toque podre de mulher”. Era isso!

DEFININDO: Toque podre de mulher (ou de homem) são todas aquelas coisas, comentários, frases de apontamento que uma mulher (homem) não deve dizer durante um encontro e que fazem toda a diferença. Pode-se pensar que isso acomete algumas pessoas que tem uma tendência a “achar o que o outro acha” e com isso lançam mão de frases que complicam tudo, comentários que surgem do nada e que deixam o ar pesado e um silêncio sepulcral. Do nada também não! Porque com certeza só não expressaram o que verdadeiramente pensavam na hora, a palavra não acompanha a idéia. Se não consegue dizer o que pensa, não diga de forma “meia-boca”.

Vale a pena citar Martha Medeiros, porque ela já traduziu melhor isso:
[...] só faço besteira em sua presença, fico mudo quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro antes, durante e depois de te encontrar [...].

Se depois de um "encontro" nada mais acontece, se reprisa toda a noite para achar uma boa explicação: será que foi meu jeito de respirar? Hum..não deveria ter dito aquilo? Me expressar com tanta certeza? Compartilhar particularidades tão cedo? Será que pareci preconceituosa(o)? Será que posso pensar assim? Ok! Já era!
Se no momento não deu para ser quem realmente se é (por ser tímido(a), sentir-se intimidado(a) ou não estar afim), dá para aprender a lição.
A questão é: quando se toma conta de si próprio não se precisa adotar as opiniões do outro para facilitar uma conversa. Já dito antes em outros textos: “ame o que temos na mente – é o que temos de melhor”, mas saiba bem como você pensa. Não se precisa concordar, pensar ou gostar de jeito igual para estar junto porque cada um é especial do seu jeito – Afinal de contas, seria bem sem graça se todos fossem iguais!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Partida de Futebol


Tinha uma "lista" de várias coisas que ela não fez na vida e dentre elas era ir a um jogo de futebol em um estádio. Sabe aquelas coisas que se vai adiando e que de uma maneira ou outra dependemos de mais “um alguém” para fazê-la? A partida de futebol era essa. Ela sempre simpatizou com o G. E. Brasil, mas não tinha como ir sozinha. Eis que surgem as companhias - combinações a parte, radinho na mão, rumaram para o Estádio Bento Freitas uma hora antes da partida. Ela sabia o básico: que era uma semi-final, que era contra o Ypiranga de Erechim e que tinham de ser feitos no mínimo 2 gols.
Perguntou também para seu amigo que disputa era, hum: Copa Amoretty 2007, ok? Era isso!
Quando dobraram na rua do estádio, surpresa: era tudo vermelho e preto (ainda bem que seu casaquinho rosa dava uma enganada). Entraram direto e foram sentar embaixo das gabines (dizem que é legal atrás da goleira, mas este lance de trocar já seria trabalho demais para a primeira vez). Esperaram, acenaram, brincaram. Do outro lado uma galera começa uma batucada: A famosa xaranga! Ela ficou com uma sensação de estranhamento: pessoas bebendo, xingando o Ypiranga (que já estava no aquecimento). Entra em campo o Xavante – DEMAIS! Xaranga é imbatível e apaixonante, cantavam: “eu acredito”!
Apito do juiz, bola em jogo (é assim?) torcedores atrás dela começam a xingar, mas xingar mesmo: aí ficou nervosa. Imagina se dá uma briga ao seu lado? Mais uns 10 minutos, e ela já estava xingando junto, dizendo: “pede pra sair juiz”, “ta aquecendo as pernas Nicolás”.
Bem a esta altura do jogo já sabia que tinha um atacante uruguaio chamado Nicolas, que o técnico era o Suca, o goleiro o Feijão e tinha um tal de Alex! Ela estava se sentindo uma Xavante, como se freqüentasse aquele estádio desde pequena (porque seu pai não levou aos jogos?).

Claramente, nunca foi fã de futebol, achava um desperdício o Brasil parar por causa de um campeonato, uma copa ou qualquer que fosse, porque não entendia. Mas depois de estar lá, no estádio (nem importava que pensem que é “só o Bento Freitas”), passou a entender qualquer fanático por futebol e acha que só dá para entender depois de ir a um estádio.

O que lhe despertou a paixão foi a energia de todas aquelas pessoas, todos unidos por uma única paixão. Compartilhar com uma pessoa qualquer que fosse, ou uma que você nunca viu na vida: um gol! pular, abraçar, gritar, xingar. Achava que se uma briga começasse ao seu lado, brigaria também...parece que se perde um pouco a noção do perigo. Acha que isso é paixão.
Para fechar com chave de ouro, aquele uruguaio desengonçado, que ela tinha xingado todo o jogo: fez o terceiro gol aos 47´s do segundo tempo. O Bento Freitas veio abaixo, ela abraçou seus amigos, a Xaranga chorou, a bandeira balançou: estávamos na final (pensa) (bom o estávamos, né? Hehe).
É paixão e quem sabe vire amor: Grêmio Esportivo Brasil! Porque para se apaixonar não importa em que tempo começa. (novembro/2007).

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Arrisque-se

Será que arriscar vale a pena?
Ao novo, ao curioso, ao misterioso, ao desconhecido, ao insuportável.

Arriscar-se é poder abraçar alguém todos os dias. Abraçar pode ser difícil.

Arriscar-se é dar bom dia pra moça do elevador, você nem disse oi... E não disse para não se envolver.

Arriscar-se é ligar para aquela pessoa e convidá-la para jantar. Você pode ouvir um não, então, faça alguma coisa boa dele.

Arriscar-se é participar da vida das pessoas, porque quando se é mais discreto é que se chama mais atenção, mas não da maneira correta.
A maioria das pessoas não entrou em contato com suas verdades, então, não percebem o outro da maneira correta.

Você esta bem sozinho? Então, esta pronto para se relacionar (arriscar).
Um amigo me disse que leu em algum lugar: “quem não invade, não se relaciona”.
Então...invada a moça do elevador, se relacione, perturbe, aconteça, apareça!

Quem não arrisca, meu amigo...Não se relaciona. (Fevereiro/2006)
p.s.: texto velhinho, mas estou me esforçando.

Como se escolhe?

Tema inesgotável para mim: Porque as pessoas se escolhem? Bem muitas destas escolhas, talvez a maioria é inconsciente e aí que o bolo-namoro desanda: depois de um tempo o que tinha encantado passar a ser criticado. Nunca pode-se moldar alguém ao seu gosto. Por isso, que as relações de hoje são tão fast-food: porque não se tem a tolerância dos casamentos de antigamente. Claro! eu sei muito bem disso, Ser humano em evolução, instituições mudam também, mas deve-se olhar para traz e dar uma boa peneirada aprender algo com eles, né? Num dia (qq mulher pensa nisso) meio nãoentendoporquenãodeucerto, me veio este aí debaixo, misturado com coisas que li e músicas que escutei.

Porque nós devemos fazer-te reverência?
Nós temos que dar escandalosa atenção ao que tu consideras belo?
Deixe-nos ser.
Beije-nos a testa.
Não gostamos de bom gosto.
Admira o que temos na mente.
Andemos de mãos dadas. Nós gostamos do toque.
Gostamos também da tua voz – converse conosco.
Queremos escutar tuas histórias.
Pergunte sobre as nossas.
Não alardeia ou exiba ridiculamente tua masculinidade.
Tenha compaixão da nossa dor – ela explica tudo.
Tu és lindo.
Ah! Vez ou outra enlouquecemos – isso é normal.
Gostamos do teu cheiro.
Exagere no amor, mas o teu ciúme é só para temperar.
Não corte nossa espontaneidade: somos genuínos.
Diga para eles quem somos.
Não suportamos aparências.
As regras não nos guiam – talvez isto te assuste?
Diga-nos como somos especiais - minta com sutileza.
Respeite o que nós somos.
Não foi exatamente isso que te conquistou?

Tudo tem uma introdução

Por muito tempo venho amadurecendo a idéia de escrever este blog. Fui pesquisar e ver em quais espaços meus amigos criaram seus blogs. Revisei alguns textos, que vão ser os primeiros. Eu queria falar de tanta coisa, talvez mais das que eu penso do que das que já vivi. Mas a gente sempre acaba “se divididindo” com quem lê. Então, veio a procura do nome. Putz! Foi a parte que achei mais difícil, pesquisei de novo: banheiro de meninas, superego.com. uma coisa meio Bridget Jones, mulheres de olho, Balzac, a casa, coisitas de mim, mate com Prozac, da minha gaveta. Mas credo, tudo que eu lia ou eu achava coisa de mulher desesperada ou coisa de mulher irritada. Dei-me conta que era tudo isso e muito mais, que na verdade era uma modernização dos antigos diários escondidos de algumas décadas atrás, hoje é uma intimidade que sai do papel para os blogs. Como quero dar vazão a idéia, aos temas que me interessam, as coisas que eu critico, não poderia ter outro nome: Pitacos de Gaveta. A opinião intrometida que eu guardava só para mim. Então, gostando ou não, bem-vindo a minha mente agora interativa. Abc.