sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Gosto é que nem **, cada um tem o seu!


Se eu não gosto, eu não como.


Se eu não gosto, eu não bebo.


Se eu não gosto, eu não vou.


Se eu não gosto, eu não abraço.


Se eu não gosto, eu não convivo.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

?? ????????

Tu acredita em
Deus,
Creme para celulite
E que não vai doer nada?

Tu acredita em
Quarentão que nunca casou,
Gente que diz tudo "inha"
E em cartomante?

Tua acredita que
É só brincadeira,
Amizade entre homem e mulher
E instinto materno?

Tu acredita em
Mudança do dia para noite,
Gente que não sente raiva,
Que teu amor não deseja outro e
Que vai ser só a cabecinha?

Sério?

E em papai noel?

segunda-feira, 19 de maio de 2008

E sobre os homens?


Passível de contestação, baseado em tudo.
1 - Ficada tem prazo de uma semana: se ele não ligar em 7 dias, esquece;
2 - Educadamente ele retorna as mensagens e e-mails, mas vocês não conseguem se encontrar: ele está enrolado e com mulher. Dificilmente o cara estressado, ocupado, cansado não vai topar um programa. Ou ele é um bom deprimido ou tem outra na parada. E se ele está se desculpando é porque no mínimo está te deixando de molho porque és interessante. É uma carta na manga. O risco é de que quando ele possa te ligar tu não estejas mais afim;
3 - 98% não ligam no outro dia;
4 - Se ele te liga acha o cara gosma! Se ele não liga foi porque (exemplo) tu transou ou porque não transou. ACORDA AMIGA: o segundo dia é para digerir a nova situação. Ademais, pense que o cara pode não ter curtido a ficada. Não dá para agradar gregos e troianos;
5 - Eles estão sempre disponíveis para o sexo. Não se sinta um objeto. Eles têm décadas a nossa frente de liberdade sexual e algumas conquistas nossas são bem recentes. Mesmo depois da fogueira de sutiãs, dos panelaços, da pílula anticoncepcional ainda as mulheres lutam para se sentir mais á vontade com o seu prazer;
6 - Nem sob tortura fale de ex-namorados, problemas familiares, dinheiro, insegurança. Os problemas têm tempo para serem divididos – “cada um no seu quadrado”.
7 - OS DISPONÍVEIS: se ele anda com caras 10 anos mais novos provável que seja um eterno adolescente. Se estiver na média dos 30 aos 40 a coisa só piora. Os de 30 tem mais chances de estarem só numa crise, o de 40 é conflito: cai fora!
8 - Não cabe que ele lhe diga o TEMPO TODO ou TODOS OS DIAS quanto tu é bonita, cheirosa, boa de cama. É exigência demais das mulheres. Tenha esta certeza contigo que os elogios vêm naturalmente. Se teu lance é auto-estima, um namorado não “cura”. Matricula-te numa academia e procura um bom (boa) psicoterapeuta;
9 - Homens não ficam sozinhos. Com certeza tu conheces um que não namora há anos e que está sozinho. Mas ele não ta sem rolo, sem sexo, sem beijo que nem aquela tua amiga que não transa á 6 meses, não namora á 2 anos e não beija á 3 meses? Hahaha.
10 - Não se aplica a 100% dos homens, sou contra generalizações. Se aplica aos que não são:
- violentos;
- Grude (que te colocam no lugar de mãe);
- Controlador (vais com esta saia?);
- Seu Narciso (eu me amo e é mais vaidoso e ligado em marcas do que tu);
- Ciumento (inclusive das tuas amigas);
- Teatral (cai de cama se tu não correspondes);
- Malvado (tem prazer em te ver sofrer: aquele que some e volta como se nada tivesse acontecido ou faz de conta que não te fez nada);
Os homens também dão sinais. Não só as mulheres se beneficiam destes códigos.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Vestido.


Felícia recebeu um convite para um baile que aconteceria dali à 4 meses. Antecipação que se justificava porque era um baile a fantasia e todos teriam tempo para inspirar-se.
Ela queria que sua fantasia representasse algo mais abstrato e que pudesse traduzir no simbólico. Escolheu o amor.
Tinha que escolher a cor e foi muito difícil. Nada rosa ou vermelho porque não lhe caia bem. Como em algumas culturas o preto é uma cor boa por ser a união de todas as outras, foi a escolhida. Amor preto? Ela adorava tudo que era diferente.
Gostava de roupas sedutoras, evocativas mas nunca demonstrativas. Tinha as costas à mostra e ficaria na altura dos joelhos, rodado, algo anos 60. Um sapato caro e um colar.
Não pode fazer provas detalhistas. Confiou nas mãos que confeccionaram sua idéia e que usavam as medidas que ela tinha repassado. Era só ler Felícia com atenção.
Durante o baile seu vestido foi se desfigurando. Talvez porque não suportava a “competição” com as outras fantasias.
A Fantasia da Mentira deixou seus pontos frouxos não lhe deixando segura.
A Fantasia do Desrespeito rasgou seu decote lhe expondo demais.
A Fantasia da Promessa rachou seus saltos lhe fazendo caminhar com medo de cair.
Quando Felícia se deu conta estava quase nua e ainda com um pouco do que restava de sua fé no amor, saiu discretamente do baile e foi embora.
Quando se viu nua reparou em si.
Pensou que sua fantasia precisava de reforços, porque enfim era linda.
Mas por enquanto aquele amor não lhe vestia bem.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Loja De Promessas


- Boa Tarde! Como posso lhe ajudar?
- Eu vim fazer uma reclamação deste produto que eu comprei, não sei se seria o caso de troca ou de alguma manutenção.
- Entendo! Diga-me o que acontece?
- Na verdade, ele é um bom produto só que não tem agüentado o fator tempo.
- Sim, mas a Senhorita entende que não há nada que resista ao desgaste do tempo.
- Eu tinha esperança que ele suportasse mais. Veja! Ele é forte, mas os últimos acontecimentos tem deixado ele tão pequeno.
- Olhe bem, é um bom produto, foi uma boa escolha, mas a Senhorita é responsável pelo contato dele com outros usuários. Pergunto de novo, quais os defeitos?
- Ás vezes ele cresce muito, mas dependendo do usuário ele diminui tanto que acho que vai pifar. Outras é seco, duro. Também quando assustado bate em retirada.
Percebo também que são muitas funções para este modelo, ele deveria ter outra central para dividir.
- Minha querida, seu produto é “top” de linha. Ele tem dedicação, afeto, empatia, tesão e o melhor: ele insiste em transformar a si e os seus usuários. Mas é um coração feminino e só funciona bem com uma central masculina. A sobrecarga de trabalhar sozinho é que ás vezes desgasta seu coração. Assim, que ele puder retirar estas ataduras vai estar apto as novas conexões.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Loucos - L. F. Veríssimo




O melhor da Terapia é ficar observando os meus colegas loucos. Existem dois tipos de loucos. O louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou. Durante quarenta anos, passei longe deles. Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal. O melhor da terapia é chegar antes, alguns minutos e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera. Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco. Ninguém olha para
ninguém. O silêncio é uma loucura. E eu, como escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses. Acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo. E a sala de espera de um 'consultório médico', como diz a atendente absolutamente normal (apenas uma
pessoa normal lê tanto Paulo Coelho como ela), é um prato cheio para um louco escritor como eu. Senão, vejamos:
Na última quarta-feira, estávamos:
1. Eu,
2. Um crioulinho muito bem vestido,
3. Um senhor de uns cinqüenta anos e
4. Uma velha gorda.
Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles. Não foi difícil, porque eu já partia do principio que todos eram loucos, como eu. Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados. O pretinho, por exemplo. Claro que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído muito para levá-lo até aquela poltrona de vime. Deve gostar de uma branca, e os pais dela não aprovam o namoro e não conseguiu entrar como sócio do 'Harmonia do Samba'. Notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que
ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro.Talvez apenas a cabeça. Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro.Podia ser perigoso.Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina.
E o senhor de terno preto, gravata, meias e sapatos também pretos? Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa.. E manso. Corno manso sempre tem tiques. Já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas. Insegurança total, medo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente, interrompendo o Paulo Coelho da outra. Faltava um botão na camisa. Claro, abandonado pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas.
Homossexual? Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.
Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda e baixinha. Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Será que se masturbaria? Será que era esse o problema dela? Uma velha masturbadora? Não! Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Estava no quinto cigarro em dez minutos. Tensa. Coitada... O que deve ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas e dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse. Acabou o meu tempo.Tenho que ir conversar com o meu psicanalista.

Conto para ele a minha 'viagem' na sala de espera. Ele ri, ..... ri muito, o meu psicanalista, e diz:
- O Ditinho é o nosso office-boy.
- O de terno preto é representante de um laboratório multinacional de remédios lá no Ipiranga e passa aqui uma vez por mês com as novidades.
- E a gordinha é a Dona Dirce, a minha mãe.
- E você... não vai ter alta tão cedo...
FIGURA: Autoretrato com bandagem na orelha, 1889 - Van Gogh.

terça-feira, 29 de abril de 2008

VOLVER


Ela tinha medo do passado que retornava, não sabia se para mais um momento ou mais uma etapa. Vencida pelas lembranças boas, rende-se ao ser que lhe rodeia.
Foi diferente do que sua mente imaginava, dos diálogos que criou, das sensações que já sentiu.
Os personagens eram os mesmo, mas em épocas diferentes, mais sofridos, mais vividos, mais intensos.
Entrega-se ao abraço forte, o cheiro familiar e a boca febril.
Os seus corpos conheciam o caminho um do outro, vezes mil já percorrido.
O que marca são as poucas palavras e o abraço que lhe diz tudo. Não lhe exige mais declarações, ela sabe quem é.
Juntos para um novo caminho, juntos ou não.
Crê no ser humano. Crê na oportunidade da desculpa. Crê no que acha justo. Crê que um encontro não é nada ainda.
A despedida deixa marcas pela casa, um perfume na pele e um sono justo para aquele que não dormiu velando os carinhos.
E assim, volta?


Tengo miedo del encuentro
Tenho medo do encontro

con el pasado que vuelve
com o passado que volta

a enfrentarse con mi vida.
a enfrentar-se com minha vida.

Tengo miedo de las noches
Tenho medo das noites

que pobladas de recuerdos
que povoadas de recordações

encadenan mi soñar.
aprisionam meu sonhar.

Pero el viajero que huye
Mas o viajante que foge

tarde o temprano detiene su andar.
cedo ou tarde detem seu caminhar.

Y aunque el olvido, que
todo destruye,
E mesmo que o esquecimento,
que tudo destroi,

haya matado mi vieja
ilusion,
tenha matado minha velha ilusão,

guardo escondida una esperanza humilde
guardo escondida uma
esperança humilde

que es toda la fortuna de
mi corazón.
que é toda a fortuna do meu coração.

Volver*
* De Alfredo le Pera y Carlos Gardel (1935) da trilha sonora do filme “Volver” de Almodóvar.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

O Perigo MORA ao lado.


Tem um tipo de vizinho que chega como quem não quer nada de ti, ao contrário se mostra altruísta demais. Tem sempre um sorriso a dar, te chama pelo nome com intimidade de "anos" e faz brincadeiras em algumas "cruzadas de corredor". Por outras vezes, UMA cuia de mate daqui, um papo dali..política de boa vizinhança. Compartilha histórias de condomínio ou da rua e da vida de outros vizinhos naqueles momentos em que dá vontade de dizer: "eu não quero que tu me contes, porque eu não quero saber" - fica grosso demais né?

Este é o tipo de vizinho que vem chegando e quando se percebe ele sabe da tua vida e tu da vida de todo prédio. Ele desperta "o tratado da fofoca" em ti porque uma fofoca não vale á pena se ficar só com ele.

Dá para chamar de "tóxico", que te exige sem te dar, que gera em ti culpa por não gostar dele, é grude, sanguessuga, infantil.

Vizinho não se escolhe. Mas não é por obrigação alguma um amigo! É alguém que se trata cordialmente. Aberta campanha para só socializar com quem agrega.

terça-feira, 1 de abril de 2008

A Pós-Adolescência, sob o vértice psicanalítico.

Conclusão do trabalho final de pós-graduação:
A partir de uma análise de um texto de BLOS (1985), complementada com a leitura de Câmara e Cruz, Outeiral, Levisky e outros autores e, ainda, reconhecendo a necessidade de uma maior discussão sobre a pós-adolescência, concluí que a pós-adolescência é uma fase do desenvolvimento individual bem delimitada, compreendida entre o final da adolescência e início da vida adulta.
Caracteriza-se como uma fase voltada para o problema da harmonização das partes componentes da personalidade. Diferente do início da adolescência (fase com seu início marcado pelos aspectos físicos) onde o indivíduo passa por conflitos biopsicossociais. Os aspectos psicológicos é que definem o final da adolescência onde aquisições e conflitos desta estão ligados a escolha de uma profissão, a uma relação afetiva estável e vida social.
É uma fase de crise em que se registram na mente perdas e ganhos que são marcados por escolhas que “devem” ficar para a vida toda. Estes ganhos ficam registrados na identidade, nos âmbitos de maior integração egóica, na aquisição de um papel profissional dentro do mercado de trabalho (maior realização profissional), na vida amorosa estável (maior realização afetiva) e no papel assumido na sociedade.
Ao final da pós-adolescência, início da vida adulta, entende-se que o indivíduo deva ter adquirido capacidade de: desenvolver atos determinados por sua vontade (pensados por ele); fazer parte de um grupo e respeitar as regras deste; desenvolver opiniões antecipadas baseadas em suposições (prognósticos) e uma estabilidade emocional e uma duradoura auto-estima. Estas capacidades acontecem diferentes em cada indivíduo, de acordo com seu contexto histórico sócio cultural e transgeracional.
Como em todas as etapas do desenvolvimento, podem aparecer alguns aspectos patogênicos e aqui pode surgir a “adolescência prolongada” – uma perseveração de algo que deve ser transitório, caracterizado por um adolescente ferido narcisicamente, que mantém a crise adolescente em aberto porque há uma falha em organizar os impulsos e funções do ego.
Muitos aspectos sociais que influenciam a pós-adolescência foram apontados neste estudo (baseados em dados produzidos a partir da experiência clínica), mas o que se destaca é a inserção no mercado de trabalho. O desemprego restringe a entrada de jovens no mercado de trabalho, retarda a independência econômica e faz com que os pós-adolescentes fiquem fixados a dependências emocional e financeira que eram características da fase anterior.
Foi de enorme significação pessoal poder abordar um tema tão pouco explorado, mas que está cada vez mais freqüente no mundo de hoje, levando tantos jovens a um sofrimento psíquico, silencioso e que não é entendido na maioria das vezes pelos que estão a sua volta.
Acredita-se que com o devido respaldo psicoterápico e maior divulgação deste fenômeno para a sociedade, esta crise pode ser enfrentada com menos sofrimento e maior compreensão.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Mala Leve.


Sexta-feira, final de tarde, calor de março. Estudantes universitários se encaminham para mais uma viagem rumo à casa dos pais. Sua mala está leve (se carrega o básico para dois dias porque ela anda introspectiva), ela está com tempo e revolve atipicamente ir de ônibus circular. Avoada, percebe uns vultos vindo em sua direção, mas não presta atenção. Quando eles chegam mais perto: PÁRA! Quem será? O cara era tudo e tinha uma bunda linda. Três amigos, conversando, rindo, provavelmente universitários. Não olha muito porque certo que um cara desses nunca olharia para ela. Pegam o mesmo ônibus e de lá ela só olha discretamente com um ar de “não percebo vocês aqui”.
Segunda-feira, meio dia, espera suas amigas no seu restaurante habitual. Quem entra? O cara da b**** linda! “Eu nunca vi ele aqui, mas como?”. A partir daí ela observava que ele sempre lia o jornal depois do almoço, sempre tinha muitas companhias femininas, usava calças cargo e tinha um corte de cabelo “uma coisa argentina se ser” adorável! Depois de um tempo, ela já conhecia alguns amigos e o curso que ele fazia. Brincava com as amigas que ele era o pai de seus filhos.
Sexta-feira, noite, frio de junho. Balada, gloss, amigas, cerveja. Na época tocava um batidão brega, mas que todo mundo curtia (“vem aqui com seu tigrão”). Remexe pra cá, remexa pra lá, quem está na festa? Sempre cercado por suas lindas amigas?


- Olha lá, o pai dos meus filhos! Aii! Ele tá me olhando!
- Deixa de ser boba, olha para ele (que figura a melhor amiga).
- mas eu tenho namorado.
- não cai pedaço.
- ai, ele tá me chamando!
- vai lá.
- não consigo...
- tu não vai casar com o cara!
- fui!


Não tinha namorado, nem amigas, nem mais ninguém naquela festa: só ela e o pai de seus filhos e que beijo! Era como na música Nós da Cássia Eller: “Eu sei que você disse por aí, que não tava muito bem seu novo amor, você tava mais querendo era me ver passar por ai”.
Naquela época celular não mandava mensagem, não tinha MSN, nem Orkut e poucos estudantes tinham telefone em casa, ela tinha que esperar a próxima festa, expectativa que não tem preço.. Com uma culpa que lhe comia os rins, ela chega em casa as 5 da manhã se olha no espelho e pensa: traí meu namorado. O apartamento sempre agradecia seus ataques de culpa: faxina de madrugada. Sabe aquela máxima: “trair e coçar é só começar”, pois bem, depois que ficaram da segunda vez a história não foi outra, ela terminou o namoro e pode viver o que achava que não aconteceria com ela – o cara estava ali e pleno, pelo menos até cada amanhecer. Ela descobriu que naquele dia quando ela deu seu lugar para uma idosa, ele percebeu. Que ele percebia quando ela cortava o cabelo mais curto, quando engordava, quando triste, que ele tinha as gírias mais engraçadas e próprias que ouvira, que era carente, delicado e tinha bom gosto.

Acabaram as férias de julho e ela voltou para o namorado. Ele não gostou. Tempos sem se ver. Um outro reencontro. Voltaram a ficar de novo. Aqui era só o desejo de estar junto, não interessava se ela com alguém e ele com outras. Ele era um fanfarrão. Ele nunca mais confiou nela. Não importava mais. Era pele e sempre foi. O programa menos autista que fizeram juntos foi ir numa locadora pegar um filme que nunca viram o final. Era pele.


Depois de 6 anos daquela sexta-feira foi o primeiro ano em que eles não ficaram. Ele diz que na idade que estão não se pode ser mais sozinho e ela precisa se abrir. Ela diz que ele foi um marco na vida afetiva dela. Talvez agora eles consigam ser amigos. Distantes. Sem pele. Ele amadureceu e talvez case antes, porque a mala dela ainda esta leve.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Vontade dá e passa!

Querer, desejar, imaginar – vai fantasiando! Ela acorda assustada de mais um daqueles “sonhos que se sonham quando acordado” e volta para a papelada do trabalho. Mas de uns dias para cá está difícil porque ela anda com a cabeça nas nuvens (não é um problema: é um cara novo – ó.b.v.i.o.). Mas, o que tanto ela pensa? Além de imaginar como vai ser o beijo, aonde vão se encontrar, o que ela vai vestir, o que vão conversar? Cria diálogos, gestos, toques - ôôô sofrimento antecipado. Não consegue impedir que os pensamentos aterrorizantes (exagerada) estraguem o bom frio na barriga. Para não dar trabalho, ela prefere evitar o cara, porque simplesmente quando tem vontade tem medo (atrapalhada).
Pessoas impedem pessoas por não estarem num bom momento. Ela sabia que quando a cuca não estava boa não era hora de novas escolhas e sim de resolver o ciclo da “dor pendente”.
Só que por mais que o desejante procure uma hora deixa de desejar, porque ação tem reação, porque desejo precisa de estímulo e se ele não deseja mais, é simples: vontade dá e passa!
Ela entende. Ele entende. Como diz o blog Verbalizando o Silêncio: “Você coleciona armaduras enquanto o amor exige nudez”.
Pitaco de gaveta aconselha: DISPA-SE.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Tu gosta de quem?

Quadrilha
Carlos Drummond de Andrade

João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém.João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história.

É sempre aquela confusão. Depois do primeiro beijo (registre início da adolescência) obviamente vem um desapontamento, porque um primeiro amor precisa ser eternizado também com dor. Claro, que todos cheios de entusiasmo acham que o segundo amor vai ser para sempre (tendência a achar que cada novo amor é o último). Novamente, outras sensações, frio na barriga, coração acelerado, perguntas. Uma hora encaixa. Alguns dão certo e por um bom tempo. Se acredita, a partir disso que vai ser moleza a “a arte de amar” e que nunca se vai ter medo de ficar sozinho. Crescendo. Um dia, a grande decepção (todos passam por uma, os azarados por duas – cada um que contabilize as suas).
Aqui dá-se tempo para entender de que forma nestes últimos 10 ou 15 anos as escolhas estão sendo feitas, se não fizer isso: compulsão a repetição. Só que ainda assim, as decepções continuam – com menos intensidade e dá medo de ficar sozinho.

Mas, porque é difícil gostar de quem gosta de ti? Porque a pessoa que está fora de alcance é a desejada? A que demora para procurar é a mais pensada? É a que se guarda as mensagens no celular? Os emails na lista de enviados?

Porque a que mostra interesse em ti é a última opção? A que te deseja é ignorada? É aquela que os defeitos te saltam aos olhos? É aquela que as mensagens não são respondidas?

O que seria do branco se todos gostassem do preto? Eu sei, só estou pensando um pouco nisso.... gostar de quem gosta de ti.
Por isso que João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. Porque é difícil, mas não é impossível!

domingo, 16 de dezembro de 2007

Toque Podre

Ela chega para mais uma sessão de terapia. Por mais que tenha alguns focos de preferência vez ou outra o assunto relacionamentos pede licença e é pauta. Desta vez, ela conta mais uma vez uma história repetida. Salve-salve diz com aquela sutileza de sempre: ”sabe, eu chamo isso de “toque podre de mulher”. Era isso!

DEFININDO: Toque podre de mulher (ou de homem) são todas aquelas coisas, comentários, frases de apontamento que uma mulher (homem) não deve dizer durante um encontro e que fazem toda a diferença. Pode-se pensar que isso acomete algumas pessoas que tem uma tendência a “achar o que o outro acha” e com isso lançam mão de frases que complicam tudo, comentários que surgem do nada e que deixam o ar pesado e um silêncio sepulcral. Do nada também não! Porque com certeza só não expressaram o que verdadeiramente pensavam na hora, a palavra não acompanha a idéia. Se não consegue dizer o que pensa, não diga de forma “meia-boca”.

Vale a pena citar Martha Medeiros, porque ela já traduziu melhor isso:
[...] só faço besteira em sua presença, fico mudo quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro antes, durante e depois de te encontrar [...].

Se depois de um "encontro" nada mais acontece, se reprisa toda a noite para achar uma boa explicação: será que foi meu jeito de respirar? Hum..não deveria ter dito aquilo? Me expressar com tanta certeza? Compartilhar particularidades tão cedo? Será que pareci preconceituosa(o)? Será que posso pensar assim? Ok! Já era!
Se no momento não deu para ser quem realmente se é (por ser tímido(a), sentir-se intimidado(a) ou não estar afim), dá para aprender a lição.
A questão é: quando se toma conta de si próprio não se precisa adotar as opiniões do outro para facilitar uma conversa. Já dito antes em outros textos: “ame o que temos na mente – é o que temos de melhor”, mas saiba bem como você pensa. Não se precisa concordar, pensar ou gostar de jeito igual para estar junto porque cada um é especial do seu jeito – Afinal de contas, seria bem sem graça se todos fossem iguais!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Partida de Futebol


Tinha uma "lista" de várias coisas que ela não fez na vida e dentre elas era ir a um jogo de futebol em um estádio. Sabe aquelas coisas que se vai adiando e que de uma maneira ou outra dependemos de mais “um alguém” para fazê-la? A partida de futebol era essa. Ela sempre simpatizou com o G. E. Brasil, mas não tinha como ir sozinha. Eis que surgem as companhias - combinações a parte, radinho na mão, rumaram para o Estádio Bento Freitas uma hora antes da partida. Ela sabia o básico: que era uma semi-final, que era contra o Ypiranga de Erechim e que tinham de ser feitos no mínimo 2 gols.
Perguntou também para seu amigo que disputa era, hum: Copa Amoretty 2007, ok? Era isso!
Quando dobraram na rua do estádio, surpresa: era tudo vermelho e preto (ainda bem que seu casaquinho rosa dava uma enganada). Entraram direto e foram sentar embaixo das gabines (dizem que é legal atrás da goleira, mas este lance de trocar já seria trabalho demais para a primeira vez). Esperaram, acenaram, brincaram. Do outro lado uma galera começa uma batucada: A famosa xaranga! Ela ficou com uma sensação de estranhamento: pessoas bebendo, xingando o Ypiranga (que já estava no aquecimento). Entra em campo o Xavante – DEMAIS! Xaranga é imbatível e apaixonante, cantavam: “eu acredito”!
Apito do juiz, bola em jogo (é assim?) torcedores atrás dela começam a xingar, mas xingar mesmo: aí ficou nervosa. Imagina se dá uma briga ao seu lado? Mais uns 10 minutos, e ela já estava xingando junto, dizendo: “pede pra sair juiz”, “ta aquecendo as pernas Nicolás”.
Bem a esta altura do jogo já sabia que tinha um atacante uruguaio chamado Nicolas, que o técnico era o Suca, o goleiro o Feijão e tinha um tal de Alex! Ela estava se sentindo uma Xavante, como se freqüentasse aquele estádio desde pequena (porque seu pai não levou aos jogos?).

Claramente, nunca foi fã de futebol, achava um desperdício o Brasil parar por causa de um campeonato, uma copa ou qualquer que fosse, porque não entendia. Mas depois de estar lá, no estádio (nem importava que pensem que é “só o Bento Freitas”), passou a entender qualquer fanático por futebol e acha que só dá para entender depois de ir a um estádio.

O que lhe despertou a paixão foi a energia de todas aquelas pessoas, todos unidos por uma única paixão. Compartilhar com uma pessoa qualquer que fosse, ou uma que você nunca viu na vida: um gol! pular, abraçar, gritar, xingar. Achava que se uma briga começasse ao seu lado, brigaria também...parece que se perde um pouco a noção do perigo. Acha que isso é paixão.
Para fechar com chave de ouro, aquele uruguaio desengonçado, que ela tinha xingado todo o jogo: fez o terceiro gol aos 47´s do segundo tempo. O Bento Freitas veio abaixo, ela abraçou seus amigos, a Xaranga chorou, a bandeira balançou: estávamos na final (pensa) (bom o estávamos, né? Hehe).
É paixão e quem sabe vire amor: Grêmio Esportivo Brasil! Porque para se apaixonar não importa em que tempo começa. (novembro/2007).

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Arrisque-se

Será que arriscar vale a pena?
Ao novo, ao curioso, ao misterioso, ao desconhecido, ao insuportável.

Arriscar-se é poder abraçar alguém todos os dias. Abraçar pode ser difícil.

Arriscar-se é dar bom dia pra moça do elevador, você nem disse oi... E não disse para não se envolver.

Arriscar-se é ligar para aquela pessoa e convidá-la para jantar. Você pode ouvir um não, então, faça alguma coisa boa dele.

Arriscar-se é participar da vida das pessoas, porque quando se é mais discreto é que se chama mais atenção, mas não da maneira correta.
A maioria das pessoas não entrou em contato com suas verdades, então, não percebem o outro da maneira correta.

Você esta bem sozinho? Então, esta pronto para se relacionar (arriscar).
Um amigo me disse que leu em algum lugar: “quem não invade, não se relaciona”.
Então...invada a moça do elevador, se relacione, perturbe, aconteça, apareça!

Quem não arrisca, meu amigo...Não se relaciona. (Fevereiro/2006)
p.s.: texto velhinho, mas estou me esforçando.

Como se escolhe?

Tema inesgotável para mim: Porque as pessoas se escolhem? Bem muitas destas escolhas, talvez a maioria é inconsciente e aí que o bolo-namoro desanda: depois de um tempo o que tinha encantado passar a ser criticado. Nunca pode-se moldar alguém ao seu gosto. Por isso, que as relações de hoje são tão fast-food: porque não se tem a tolerância dos casamentos de antigamente. Claro! eu sei muito bem disso, Ser humano em evolução, instituições mudam também, mas deve-se olhar para traz e dar uma boa peneirada aprender algo com eles, né? Num dia (qq mulher pensa nisso) meio nãoentendoporquenãodeucerto, me veio este aí debaixo, misturado com coisas que li e músicas que escutei.

Porque nós devemos fazer-te reverência?
Nós temos que dar escandalosa atenção ao que tu consideras belo?
Deixe-nos ser.
Beije-nos a testa.
Não gostamos de bom gosto.
Admira o que temos na mente.
Andemos de mãos dadas. Nós gostamos do toque.
Gostamos também da tua voz – converse conosco.
Queremos escutar tuas histórias.
Pergunte sobre as nossas.
Não alardeia ou exiba ridiculamente tua masculinidade.
Tenha compaixão da nossa dor – ela explica tudo.
Tu és lindo.
Ah! Vez ou outra enlouquecemos – isso é normal.
Gostamos do teu cheiro.
Exagere no amor, mas o teu ciúme é só para temperar.
Não corte nossa espontaneidade: somos genuínos.
Diga para eles quem somos.
Não suportamos aparências.
As regras não nos guiam – talvez isto te assuste?
Diga-nos como somos especiais - minta com sutileza.
Respeite o que nós somos.
Não foi exatamente isso que te conquistou?

Tudo tem uma introdução

Por muito tempo venho amadurecendo a idéia de escrever este blog. Fui pesquisar e ver em quais espaços meus amigos criaram seus blogs. Revisei alguns textos, que vão ser os primeiros. Eu queria falar de tanta coisa, talvez mais das que eu penso do que das que já vivi. Mas a gente sempre acaba “se divididindo” com quem lê. Então, veio a procura do nome. Putz! Foi a parte que achei mais difícil, pesquisei de novo: banheiro de meninas, superego.com. uma coisa meio Bridget Jones, mulheres de olho, Balzac, a casa, coisitas de mim, mate com Prozac, da minha gaveta. Mas credo, tudo que eu lia ou eu achava coisa de mulher desesperada ou coisa de mulher irritada. Dei-me conta que era tudo isso e muito mais, que na verdade era uma modernização dos antigos diários escondidos de algumas décadas atrás, hoje é uma intimidade que sai do papel para os blogs. Como quero dar vazão a idéia, aos temas que me interessam, as coisas que eu critico, não poderia ter outro nome: Pitacos de Gaveta. A opinião intrometida que eu guardava só para mim. Então, gostando ou não, bem-vindo a minha mente agora interativa. Abc.